Surdocegueira e
Deficiência Múltipla: semelhanças e diferenças
A
convivência na prática inclusiva educacional tem provocado uma busca intensa
por informações que subsidie a atuação dos profissionais que por vezes já vêm
com alguma experiência e embasamento teórico, porém outros chegam com grandes e
muitas interrogações sobre o público alvo de Atendimento Educacional
Especializado em especial temos um grupo que por ser minoria em um contexto de
minorias as produções são bem restritas e até requerem um tempo a mais para
assimilação de alguns termos. Estamos falando do aluno surdocego e com
deficiência múltipla que embora seja uma constatação real da baixa incidência
no sistema regular de ensino eles fazem parte do atendimento e a informação é a
base de tudo.
Para a compreensão e distinção das
diferenças básicas vejamos as definições apresentadas pela* Drª Shirley Rodrigues Maia:
A surdocegueira é uma terminologia
adotada mundialmente para se referir a pessoas que tem perdas visuais e
auditivas concomitantes em graus diferentes, podendo ser:
a) Surdocego total: ausência total de visão e
audição.
b) Surdocego com surdez profunda associada com
resíduo visual: ausência de percepção da fala mesmo com aparelho de
amplificação sonora individual, com resíduo visual que permite orientar-se pela
luz, facilitando a mobilidade e com apoio de alto contraste é possível ter
percepção de objetos, pessoas e escrita ou símbolos.
c) Surdocego com surdez moderada associada com
resíduo visual: dificuldade para compreender a fala em voz normal e sua
percepção visual à luz permite mobilidade e com apoio de alto contraste é
possível ter percepção de objetos, pessoas e escrita ou símbolos.
d) Surdocego com surdez moderada ou leve com
cegueira: dificuldade auditiva para compreender a fala em voz normal ou baixa é
necessário falar mais próximo ao ouvido e tom mais alto (fala ampliada), total
ausência de visão, sem percepção de luminosidade ou vulto.
e)
Surdocego com
perdas leves, tanto auditivas quanto visuais: dificuldade para compreender a
fala em voz baixa e seu resíduo visual possibilita que defina e perceba
volumes, cores e leitura em tinta ampliada.
É
importante também conhecermos em que período da vida o aluno desenvolveu a
surdocegueira, pois as ações em torno dos procedimentos comunicativos podem ser
direcionados de forma bem diferenciadas considerando possibilidades de
introdução da fala ou da língua de sinais. Por isso as definições dos períodos
também são relevantes.
a)
Surdocegueira congênita: quando a criança nasce
Surdocega ou adquire a surdocegueira nos primeiros anos de vida antes da
aquisição de uma língua (português ou Libras – Língua Brasileira de Sinais). Um
exemplo mais freqüente destes casos é a criança com seqüelas da síndrome da
rubéola congênita.
b)
Surdocegueira adquirida: quando a pessoa
ficou surdocega após a aquisição de uma língua, seja oral ou sinalizada. Os
exemplos mais freqüentes deste grupo são pessoas com Síndrome de Usher.
Ao buscarmos o
fascículo sobre a deficiência múltipla percebemos que há um leque muito grande
de possibilidades que nos traz a mente de forma mais exata os termos
individualidade e exclusividade então essa dimensão é proporcional a nossa
responsabilidade em executar ações inovadoras na educação. Retomaremos agora as
possibilidades apresentadas pela Drª
Shirley Rodrigues Maia.
Física e Psíquica
·
Deficiência física associada à Deficiência
Intelectual.
·
Deficiência Física associada a Transtornos
Globais do Desenvolvimento.
Sensorial e Psíquica
·
Deficiência
Auditiva/Surdez associada à Deficiência Intelectual.
·
Deficiência Visual
associada à Deficiência Intelectual.
·
Deficiência
Auditiva/Surdez associada a Transtornos Globais do Desenvolvimento.
·
Deficiência Visual associada
a Transtornos Globais do Desenvolvimento.
Sensorial e Física
·
Deficiência
Auditiva/Surdez associada à Deficiência Física.
·
Deficiência
Auditiva/Surdez associada à Paralisia Cerebral.
·
Deficiência Visual
(cegueira ou baixa visão) associada à Deficiência Física.
·
Deficiência Visual
(cegueira ou baixa visão) associada à Paralisia Cerebral.
Física, Psíquica e Sensorial
·
Deficiência física
associada à deficiência visual (cegueira ou baixa visão) e a Deficiência
Intelectual.
·
Deficiência física
associada à Deficiência Auditiva/Surdez e a Deficiência Intelectual.
·
Deficiência visual
(Cegueira e ou baixa visão), paralisia cerebral e Deficiência Intelectual.
O grande fator de
aproximação dos dois grupos é a extrema necessidade em se estabelecer um padrão
de comunicação viável a singularidade do aluno utilizando o potencial residual
que for possível a ele. Com a vivência bem como os relatos da família o
desdobramento das atividades e estratégias serão realizadas conforme os
sucessos obtidos com todo um percurso simbólico de comunicação que antes de
toda e qualquer tentativa o vínculo de confiança precisa ser firmado .
*
Dra. Shirley Rodrigues Maia. Coordenadora de
conteúdo na disciplina de Deficiência múltipla e surdocegueira da
Especialização em AEE da Universidade Federal do Ceará. Texto: Aspectos
Importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla